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quarta-feira, 11 de junho de 2008

FLIP

A FLIP - Festa Internacional do Livro de Paraty - está na sua sexta edição. É a maior feira literária do país e tem as mesas de debate como atração: esse ano contará com a presença de Neil Gaiman, autor de Sandman, Tom Stoppard, roteirista de Shakespeare Apaixonado, Neil Gaiman, Veríssimo e Caco Barcelos. E o Neil Gaiman, gente!
Destaque também para as homenagens ao centenário da morte de Machado de Assis. Na abertura do evento, o crítico Robert Schwarz discute a obra Dom Casmurro, considerada por ele "o romance possivelmente mais refinado e composto da literatura brasileira".
O evento deve atrair de 15 a 20 mil pessoas, do dia 2 (quarta) e 6 (domingo) de Julho à cidade histórica do Rio.

A programação:
2 de julho (quarta-feira)
19h - "A Poesia Envenenada de Dom Casmurro”, com Roberto Schwarz
21h30 - Show de abertura com Luiz Melodia

3 de julho (quinta-feira)
10h - "Primeiro Tempo", com Adriana Lunardi, Emilio Fraia, Michel Laub e Vanessa Barbara
11h45 - "O Espelho", com Elisabeth Roudinesco (França)
15h - "Retrato em Branco e Preto", com Carlos Lyra e Lorenzo Mammì
17h - "Conversa de Botequim", com Humberto Werneck e Xico Sá
19h - "Admirável Mundo Velho", com Tony Judt (Inglaterra)

4 de julho (sexta-feira)
10h - "Formas Breves", com Ingo Schulze (Alemanha), Modesto Carone e Rodrigo Naves
11h45 - "Ficções", com João Gilberto Noll e Lucrecia Martel (Argentina)
15h - "Os Fuzis", com Caco Barcellos e Misha Glenny (Inglaterra)
17h - "Estética do Frio", com Martín Kohan (Argentina), Nathan Englander (Inglaterra) e Vitor Ramil
19h - "Veludo Cotelê" (moderação de Matthew Shirts), com David Sedaris (EUA)

5 de julho (sábado)
10h - "Guerra e Paz", com Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria) e Pepetela (Angola)
11h45 - "A Mão e a Luva", com Neil Gaiman (Inglaterra) e Richard Price (EUA)
15h - "Fábulas Italianas", com Alessandro Baricco (Itália) e Contardo Calligaris
17h - "Paraíso Perdido", com Cees Nooteboom (Holanda) e Fernando Vallejo (Colômbia)
19h - "Shakespeare, Utopia e Rock'n'Roll" (moderação de Luís Fernando Veríssimo), com Tom Stoppard (República Tcheca)

6 de julho (domingo)
10h - "Os Livros que Não Lemos", com Marcelo Coelho e Pierre Bayard (França)
11h45 - "Sexo, Mentiras e Videotape", com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa (Portugal) e Zoë Heller (Inglaterra)
15h - "Papéis Avulsos" (visões sobre Machado de Assis), com Flora Süssekind, Luiz Fernando Carvalho e Sergio Paulo Rouanet
17h - "Folha Seca", com José Miguel Wisnik e Roberto Damatta
19h - "Livro de Cabeceira", convidados da Flip 2008 lêem trechos de seus livros prediletos


Acontece que os ingressos começaram a ser vendidos ontem de manhã e todos para a tenda dos autores esgotaram no mesmo dia. Sem falar que não há mais vagas em metade dos hotéis e pousadas de Paraty para o evento que é daqui a 20 dias.
Neil Gaiman estará lançando seu livro "Coisas Frágeis" em português e eu estarei sabe-se lá onde lamentando a minha existência. Não só por isso, a programação é de dar água na boca (oh, eu poderia até reler os livrinhos do Machado de Assis e alugar Guerra e Paz para me preparar para o Sábado) sem falar na reunião de milhares de gentes interessadas em leitura.

Bah, vou dormir.

domingo, 16 de março de 2008

Chapeuzinho vs Jason

Charles Perrault ficou famoso pelos contos de fada que compilou num livro chamado Histórias da Mamãe Ganso, onde entraram versões até hoje conhecidas de contos como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho. Agora, a versão de Perrault da história que eu sei que pelo menos um dedicado leitor desse blog já conhece:

Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe para onde se dirigia.
- Para a casa de vovó - ela respondeu.
- Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas?
- O das agulhas.
Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, à espera.
Pam, pam.
- Entre, querida.
- Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e de leite.
- Sirva-se também de alguma coisa, minha querida. Há carne o vinho na copa.
A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: "menina perdida! Comer a carne e beber o sangue de sua avó!"
Então, o lobo disse:
- Tire a roupa e deite-se na cama comigo.
- Onde ponho meu avental?
- Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dele.
Para cada peça de roupa - corpete, saia, anágua e meias a menina fazia a mesma pergunta. E, a cada vez, o lobo respondia:
- Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.
Quando a menina se deitou na cama, disse:
- Ah, vovó! Como você é peluda!
- É para me manter mais aquecida, querida.
- Ah, vovó! Que ombros largos você tem!
- É para carregar melhor a lenha, querida.
- Ah, vovó! Como são compridas as suas unhas!
- É para me coçar melhor, querida.
Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
É para comer melhor você, querida.
E ele a devorou.

A versão existe, mas pode até estar um pouquinho exagerada em relação à publicada no livro de Perrault, onde de fato a menina se despe antes de deitar-se com o lobo, e sem final feliz - isso porque os contos do livro fizeram sucesso por estarem mais brandos ao público. Alguns clássicos da Disney transformam-se em verdadeiras histórias de horror no seu formato original, de acordo com o texto de onde tirei a história:

"As outras histórias da Mamãe Ganso dos camponeses franceses têm as mesmas características de pesadelo. Numa versão primitiva da 'Bela Adormecida' (conto tipo 410), por exemplo, o Príncipe Encantado, que já é casado, viola a princesa e ela tem vários filhos com ele, sem acordar. As crianças, finalmente, quebram o encantamento, mordendo-a durante a amamentação, e o conto então aborda seu segundo tema: as tentativas da sogra do príncipe, uma ogra, de comer sua prole ilícita. O 'Barba Azul' original (conto tipo 312) é a história de uma noiva que não consegue resistir à tentação de abrir uma porta proibida na casa de seu marido, um homem estranho, que já teve seis mulheres. Ela entra num quarto escuro e descobre os cadáveres das esposas anteriores, pendurados na parede. Horrorizada, deixa a chave proibida cair de sua mão numa poça de sangue, no chão. Não consegue limpá-la; então, Barba Azul descobre sua desobediência, ao examinar as chaves. Enquanto ele amola sua faca, preparando-se para transformá-la na sétima vítima, ela se recolhe em seu quarto e veste seu traje de casamento. Mas demora a se vestir, o tempo suficiente para ser salva por seus irmãos, que galopam em seu socorro depois de receberem um aviso de seu pombo de estimação. Num dos primeiros contos do ciclo de Cinderela (conto tipo 51OB), a heroína torna-se empregada doméstica, a fim de impedir o pai de forçá-la a se casar com ele. Em outro, a madrasta ruim tenta empurrá-la para dentro de um fogão, mas incinera, por engano, uma das mesquinhas irmãs postiças. Em 'João e Maria' ('Hansel e Gretel', conto tipo 327), na versão dos camponeses franceses, o herói engana um ogre fazendo-o cortar as gargantas de seus próprios filhos. Um marido devora uma sucessão de recém-casadas, no leito conjugal, em 'La Belle et le monstre' ('A bela e a fera') (conto tipo 433), uma das centenas de contos que jamais chegaram a ser incluídos nas versões publicadas de Mamãe Ganso."

Até o séc. XVII não existia noção de infância, crinaças usavam as mesmas roupas, viviam nos mesmos ambientes e ouviam as mesmas histórias que os adultos (que pelo jeito sacaneavam as criancinhas matando-as de medo), colocando os temas de canibalismo, incesto e outros agradáveis nessas histórias. Acabam levando sempre uma moral (não é bom chegar perto de lobos) e já foi dito até que a avó da Chapeuzinho poderia ser um lobo! - o que explicaria uma velha doente morando no meio de uma floresta cercada pelos animais.
"Há, por exemplo, uma estória Latina de Egberto de Lièges, chamada Fecunda
ratis (1023), na qual uma menininha é descoberta na companhia dos lobos. A
menina usa uma manta vermelha de grande importância para ela. Será que a própria
Chapeuzinho, com seu manto cor de sangue, não seria também um lobisomem? "

Me sinto meio paranóica, e sem sono.
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http://www.cefetsp.br/edu/eso/patricia/historiascontosgatos.html
http://www.espacoacademico.com.br/039/39esilva.htm

quarta-feira, 5 de março de 2008

Delirium

Esse desenho, feito carinhosamente na aula de matemática da semana passada, é um misto de referências/plágio de Sandman e Tara McPherson, yey! fica na cara assim mesmo. Ela é outra das ilustradoras de que eu gosto bastante, faz minicomics - ou pelo menos tirinhas - divertidas com aquele quê de melancolia e broken heart típico das ilustradoras da minha lista.

Legais são os pôsters anunciando shows que ela fez para várias bandas, de Hives a Depeche Mode, os quais estão quase todos vendidos - aliás, poucos trabalhos dela não foram vendidos ainda. É incrível como ela tem o traço bem leve apesar marcante e até meio punk.

Ela faz também, como a Samantha Floor, e como eu, algumas imagens inspiradas por Sandman; me faz indagar quantas desse tipo não existem, não me surpreenderia se gostassem do mesmo tipo de música também. Acho que caí dentro desse esteriótipo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

The Cornflake Girl

A garota Cornflake em questão é Tori Amos, cantora, compositora, pianista e amiga do Neil Gaiman ("amiga do Neil Gaiman" consta como qualidade aí). Alguns dizem que foi ela a inspiração pra personagem Delirium, de Sandman, embora tenha gente que o negue com veemência.
O seu nome de verdade é Myra Ellen Amos, mas adotou o pseudônimo quando o namorado chinês de uma amiga sua, após vê-la cantando, disse que ela se parecia com uma "tori"; foi descobrir mais tarde que tori significa "galinha".

Agora, eu descobri esses dias que além da Delirium, Tori inspirou Razor, personagem de um game antigo chamado Maniac Mansion, isso quando cantava numa banda de ruim de heavy metal (Y Kant Tori Read), no começo de sua carreira, quando ninguém suspeitava do sucesso que atingiria.

Depois disso, Tori foi vítima de estupro, só conseguindo superar o trauma ao escrever "Me and a Gun", o que foi o início de uma série de incríveis álbuns que lhe garantiram fama e fortuna.
Uns anos mais tarde ela ficou meio parecida com a Rita Lee.

Terminando de falar sobre referências, o clipe de Sleeps With Butterflies foi inspirado pelo ilustrador japonês Aya Kato - quem lê xxxHolic vai achar pelo menos alguma coisa de familiar aí.
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Galeria Tori Amos, ilustrações de Ken Meyer Jr. (siga a seqüencia de imagens até Eddie Vedder aparecer na tela).
 
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